Bem-vindo(a). Aqui ando às voltas. Com a vida. Com o doutoramento. Com o blog. Quando as circunstâncias o permitem dou umas voltinhas pela Educação de Infância.
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sexta-feira, 13 de março de 2009

As ciências físicas e as actividades laboratoriais na educação pré-escolar


Desde os primeiros anos de vida, as crianças vão construindo ideias acerca dos fenómenos físicos que observam no mundo que as rodeia. Quando ingressam na Educação Pré-Escolar usam estas ideias para compreender muitos fenómenos físicos e para explicarem a sua ocorrência. Muitas vezes, os educadores de infância não estão conscientes da existência dessas ideias e conduzem as crianças à exploração do mundo como se se tratasse do primeiro contacto da criança com os fenómenos físicos em causa. Diversos autores atribuem esta postura à insegurança científica e metodológica destes profissionais e ao seu receio em serem questionados pelas crianças relativamente a assuntos que dominam pouco. Esta insegurança pode dever-se à escassez de formação no domínio das ciências, facultadas a estes profissionais durante o ensino secundário e superior. Esta falta de formação é particularmente relevante no caso da Física e da Química, dada a pequena expressão que as ciências têm nos currículos dos cursos de formação de ducadores de Infância, e pode também justificar o baixo recurso a actividades laboratoriais, especialmente do domínio das ciências físicas, por parte destes profissionais, bem como o facto de as actividades laboratoriais implementadas serem, geralmente, do tipo ilustrativo, com procedimento desenhado e executado pelo educador de infância, e não explicitamente relacionadas com os conhecimentos prévios das crianças.
... Os resultados desta investigação apontam para a necessidade, não só de uma reformulação dos currículos da formação inicial de Educadores de Infância, de modo a incrementar a formação científica e metodológica dos novos profissionais, mas também de um maior número de acções de formação no âmbito das ciências física, em geral, e do seu ensino com recurso a actividades laboratoriais, em particular, a fim de reforçar a formação dos educadores em serviço e de contribuir para que as crianças comecem, desde cedo, a olhar mais crítica e interessadamente para o mundo que as rodeia.

As Ciências físicas são uma área de relevância ao nível da Educação de Infância que Ana Peixoto estudou no âmbito da formação dos educadores de infância. O download da sua tese de doutoramento pode ser feito aqui.


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Nos tempos actuais o futuro da saúde mental depende (também) do modo como soubermos gerir o uso das tecnologias


No dia 30/07/08 foi publicado no IOL on-line este artigo de Filipe Caetano intitulado «Magalhães, um computador pouco português».

São 500 mil portáteis disponíveis para as crianças dos seis aos dez anos. Um agrado para os mais novos, que com certeza também satisfará os pais.

Na Indonésia o «Magalhães» é conhecido pelo nome de «Anoa», na Índia é o Mileap-X series, na Itália é o Jumpc e no Brasil é conhecido por Mobo Kids. O Governo do Vietname percebeu o sucesso da oferta e já o colocou nas escolas a preço reduzido. Uma ideia agora adoptada por José Sócrates.

Computadores, internet e outras tecnologias são recursos que pretendem melhorar a vida de todos nós. São cada vez mais apelativos, mais interessantes, de fácil acesso e utilização. Muitos de nós já nem passamos sem eles. Tornamo-nos de algum modo dependentes dos mesmos. Quando pensamos em dependência também devemos pensar que a mesma pode acarretar bastantes perigos para a nossa saúde. E se existem perigos, ou se os perspectivamos que possam vir a afectar a saúde das crianças, será conveniente que saibamos ensinar os miúdos a fazer o uso correcto do PC/Net. Isto vem a propósito do computador "Magalhães" que TODAS as crianças de 6 anos irão ter acesso, já no início do próximo ano lectivo. Se os nossos governantes parecem não se preocupar com a saúde mental das crianças, nem com o uso menos adequado que muitas delas poderão vir a fazer do PC, será importante que nós, educadores estejamos cientes dos possíveis efeitos maléficos da utilização do computador e da internet na saúde física, social e emocional do cidadão. Devemos estar cientes do que queremos, como queremos e o que fazemos para e pela saúde das nossas crianças. Porque, nós adultos (alguns!) sabemos o que são e podem ser os computadores/internet. Temos (felizmente) as "ferramentas" emocionais mais ou menos estáveis para nos precavermos dos potenciais perigos emergentes. As crianças não. E cada vez mais cedo se verifica a implementação de uma filosofia do aqui e do agora, onde se tenta modelar comportamentos na premissa que temos que acompanhar o progresso e sermos mais competitivos. E as "ajudas" aí estão para que se cumpra esse desiderato. E, já que vamos ser nós a "acompanhar" o crescimento e desenvolvimento das crianças nesta área, também não estará posta de parte, a hipótese de alguém, daqui a uns anitos, se lembrar de nos vir responsabilizar pelos vários problemas emocionais e mentais que os jovens/crianças possam vir a apresentar como resultado da má utilização do PC. Afinal, os professores e as famílias não souberam "controlar" os seus filhotes, nem lhes ensinaram o bê-á-bá tecnológico. Mas, se isso vier acontecer, podemos ficar descansados que o governo resolve facilmente o problema. Coloca nas escolas os psicólogos (muitos) que andam por aí no desemprego, ou a exercer funções para as quais não possuem qualquer formação. Pelo menos irão contribuir para remediar o problema. Para terminar remeto para quem estiver interessado, este artigo já não muito recente sobre os novos (?) problemas resultantes do uso e abuso das tecnologias. Alguns resultados interessantes que devemos ter em consideração, porque o "caminho" já outros o trilharam, e nós, pouco a pouco vamos vendo as "evidências" dos caminhos percorridos e sentindo-os como nossos. Alguém sabe de algum estudo português sobre este assunto?

sexta-feira, 14 de março de 2008

Escolhi


http://www.fbb.pt/qei2008/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=26

Pela actualidade do tema, por incidir na Educação de Infância, pela possibilidade de debate sobre assuntos que dizem respeito à minha profissão gostaria de estar na Fundação Bissaya Barreto no dia 5 de Abril.
Porém, na mesma data realizam-se as II Jornadas de Ciências Sociais e Humanas em Saúde que incidem na minha área de investigação. Como se depreende tive que optar. É óbvio que escolhi a segunda. Pela temática, pelos prelectores, pela possibilidade de conhecer e aprender com outros estudos e, principalmente, pela oportunidade de apresentar trabalho. Lá estarei.


sábado, 3 de novembro de 2007

O objecto de estudo

O meu objecto de estudo incide na percepção dos educadores de infância face à integração da temática da Educação para a Promoção da saúde (EPS) nas suas práticas pedagógicas.
O interesse por esta temática partiu de algumas interrogações que se prendiam com a abordagem desta temática na Educação de Infância. Como encara o educador esta problemática? Que valor atribuirá à EPS? Em que área ou áreas de conteúdo o educador integrará a EPS? Que sentido de competência apresentará face ao desenvolvimento de determinadas temáticas, tais como a educação sexual, a prevenção do tabagismo/alcoolismo, a prevenção da obesidade, a prevenção da SIDA, etc.?
A razão destas questões tem a ver com a minha percepção que esta temática não é abordada no J.Infância com a intencionalidade desejada. Aliás, na escolaridade obrigatória o fenómeno teve o seu apogeu, nos anos noventa, com a implementação do Programa PES e da Rede das Escolas Promotoras de Saúde (RNEPS). Depois, por razões variadas, que no essencial derivaram do fraco empenho da tutela no desenvolvimento destas práticas nas escolas e jardins de infância, os professores e educadores foram gradualmente diminuindo as suas práticas educativas incidentes nesta matéria. Porém, desde os finais de 2005 que se verificou uma revitalização do conceito da EPS, tendo sido criados grupos de trabalho nesta área e foi implementada a obrigatoriedade da Educação Sexual desde o 2º ciclo até ao final do secundário. Espera-se que esta "obrigatoriedade" contagie a Educação Pré-Escolar!

Concepção artística do vírus da SIDA
Fonte: Wikipédia