Bem-vindo(a). Aqui ando às voltas. Com a vida. Com o doutoramento. Com o blog. Quando as circunstâncias o permitem dou umas voltinhas pela Educação de Infância.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Tristeza


Mas às vezes encontro comentários que me dizem qualquer coisa, que me situam no contexto, mas que não me ajudam a compreender porque existem pessoas que tratam os seus semelhantes desta maneira. 

"Pedro Castro
 Diz: 

Passados três anos, ainda não consegui perceber porque razão não impedimos este vendaval.

Passamos em média a trabalhar na Escola mais 5 a 6 TL, roubaram-nos tempo de serviço para progressão na carreira, pioraram as condições de aposentação, estamos a perder dezenas de milhares de euros, dividiram-nos num sorteio, iremos ter a avaliação de professores mais burocratizada do mundo.
O que falta ainda fazer para nós dizermos basta?!"

in http://educar.wordpress.com/2008/09/15/racios/#comments

domingo, 13 de julho de 2008

Será que a sociedade indisciplinada gera a indisciplina?

De vez enquanto soa [acentua-se] o alarme na opinião pública, porque a indisciplina está a aumentar nas escolas, porque os professores ensinam pouco, porque a escola já não é o que era, porque impera um extremo facilitismo na escola, porque para uns está tudo mal, muito bem para outros, ou nem bem nem mal para terceiros.
O retrato é este: Tem-se a sensação de que todos estão perdidos, sem horizonte ou referencial para agir. Mantêm-se a evidência do descrédito, da desconfiança, da incerteza. Questionam-se formas de comportamento, atitudes e acções demonstradas, tomam-se medidas de combate à indisciplina, definem-se objectivos a curto, médio e longo prazo, calendariza-se reuniões para decidir o que fazer, tomam-se medidas, encomendam-se estudos, manipulam-se estatísticas, faz-se, comunica-se, elabora-se... mas tudo indica que a situação não parece encontrar rumo e prevalece a sensação de que tudo vai piorar! Admiramo-nos e espantamo-nos por as "coisas" estarem como estão.
Não nos entretivemos nas últimas tempos a criar uma sociedade indisciplinada, desconfiada e mal-educada? Não desautorizamos os professores ao ponto de os vermos desmotivados? Não contribuímos ainda que indirectamente para o aumento da violência e da indisciplina em meio escolar?
A disciplina tem-se constituído em preocupação e apreensão permanentes dos educadores que, no entanto, que pouco ou quase nada tem avançado na compreensão do assunto. Em geral, quando os educadores referem-se ao problema da disciplina na escola, normalmente o reduzem a algo que diz respeito somente ao aluno. O problema da disciplina passa a ser entendido como o da indisciplina do aluno. Erro grasso.
Num evento em que os participantes são professores seria de esperar que os mesmos fossem capazes de manifestar comportamentos considerados disciplinados, os mesmos comportamentos que tanto desejam que os seus alunos apresentem na sala de aula. Mas se a nossa sociedade é considerada indisciplinada, se quem de direito não respeita a classe docente e se esta também não se faz respeitar, temos razões para não nos admirarmos de termos chegado ao ponto de encontrarmos a indisciplina nos professores, temos é de nos admirar de não estarmos pior.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Problemas e soluções em busca de equilíbrio

O pensamento e a acção do professor em análise. Contributos além fronteiras. Problemas idênticos. Soluções procuram-se.

If You Text in Class, This Prof Will Leave

Some professors threaten to confiscate students’ cell phones if they go off during class. Laurence Thomas has his own approach to classroom distractions. If the philosopher at Syracuse University catches a student sending text messages or reading a newspaper in class, he’ll end the class on the spot and walk out. It doesn’t matter if there is but one texter in a large lecture of hundreds of students. If you text, he will leave.

domingo, 27 de abril de 2008

Aprender a estudar


Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras…
Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.
Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer: aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo também é estudar.
Estudar também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar; e se um erro nos for apontado é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro, ter uma cabeça que saiba pensar, pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal é a mais linda conta que se pode fazer.
Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro, pode ser a mais bela redacção do mundo…
Estudar é muito
mas pensar é tudo!

J. C. Ary dos Santos- (7/12/1937-18/1/1984)

terça-feira, 18 de março de 2008

Entrevista ao Professor Nuno Crato


Há mais ou menos um ano e 8 meses, o jornal Público publicou uma entrevista com o Professor Nuno Crato sobre o ensino em Portugal. A razão por que trago aqui, hoje, esta entrevista tem a ver com três questões pessoais que passo a referir:
- A preocupação que demonstro [a par com muitos outros colegas] no que diz respeito ao actual funcionamento do sistema educativo português.
- Por ser educadora de infância e ter sentido na pele os efeitos das diversas políticas educativas.
- Por possuir 30 anos de uma profissionalidade que é o resultado daquilo que eu sou como pessoa, do que entendo que devo ser como profissional e do que os sucessivos governos quiseram que eu fosse. Já Ortega dizia "Sou eu e e as minhas circunstâncias".
- Por ter sido socializada pessoal e profissionalmente num sistema que considero desorganizado, desarticulado, indefinido, facilitador, pouco exigente, pouco desafiador, pouco reconhecedor mas acima de tudo pouco motivador.
A quarta questão, a mais importante, tem a ver com a excelente reflexão e clareza com que o Professor Nuno Crato descreve e aborda a problemática do ensino.

PÚBLICO nº 5927 Domingo, 18 de Junho de 2006

A palavra ensinar foi banida do vocabulário do Ministério da Educação
Público - Estamos a chegar ao fim de um ano lectivo particularmente agitado: começou com a polémica em torno das aulas de substituição e acaba com outra em torno da revisão do estatuto da carreira docente. Foi essencialmente só ruído ou as coisas estão a mudar?

Nuno Crato - Precisamos de deixar a poeira pousar para ver o que se passa. Mas julgo que um dos principais perigos deste ano é o de sair-se dele com uma guerra contra os professores. Isso é o pior que poderia existir neste momento. E é uma guerra que não tem sentido. Se alguém pretende culpar os professores sobre o que aconteceu nos últimos anos está a falhar o alvo. Porque o responsável do que se passou nos últimos 20 anos é essencialmente o Ministério da Educação. O ministério mudou muito, os ministros mudaram, mas há um grupo, uma "nomenklatura", feita de técnicos superiores do ministério e de teóricos da educação, que forjaram uma aliança ao longo de décadas, que é de facto quem manda na educação do país. Estou absolutamente convencido disso.
Público - Os professores estão então isentos de culpas?

Nuno Crato - Se há culpas dos professores, essas também se devem ao Ministério. Por exemplo, se alguns professores não têm a melhor preparação científica isso deve-se ao Ministério da Educação que durante décadas se recusou a fazer aquilo que era evidentemente necessário, que era um exame de entrada na profissão.

Público - Que está agora previsto no novo estatuto da carreira docente
Nuno Crato- Pois está e esperemos que funcione bem. Mas para que isso aconteça terá que ser um exame sobre os conhecimentos dos professores e não sobre "pedagogices". E conhecimentos não só numa área especifica, sobretudo quando se fala dos dois primeiros ciclos. Qualquer professor deve ter uma ideia de quem foi Almeida Garrett, seja docente de História, de Português ou de Matemática. Qualquer professor deve ter uma ideia do que é a lei da queda dos graves. Os professores devem ter esse tipo de cultura geral, digamos assim. Não podem dar erros graves de português, não podem dar erros elementares de Matemática. E depois, na área especifica, devem saber o suficiente para estar perfeitamente à vontade naquilo que vão ensinar. Infelizmente não é isso que se passa com alguns professores. Mas nós temos os docentes que o Ministério quis.
Público - Os professores têm razão em sentirem-se zangados com esta ministra?

Nuno Crato - Têm razões para estarem zangados com todos os ministros, embora com a actual titular as questões tenham sido mais amplificadas do que aquilo que mereceriam ser. Pode ser que alguns tenham abdicado de ensinar, mas foi o Ministério, através de uma série de orientações e contra-orientações, quem destruiu as escolas. Este ano, só há cerca de mês e meio é que estas receberam indicações sobre os exames e lhes foram enviadas as provas tipo. Até lá, nem os professores, nem as famílias, nem os alunos não sabiam coisas essenciais sobre os exames. Como é que se pode trabalhar assim? Como é que se organiza um ano lectivo nestas condições?

Público - As medidas que foram sendo anunciadas este ano lectivo poderão trazer mais qualidade ao ensino?

Nuno Crato - Penso que, em geral, vão na direcção certa e vão ao encontro de coisas que durante muito tempo praticamente só a Sociedade Portuguesa de Matemática defendeu. Por exemplo, a necessidade de exames para professores; de um número mínimo de horas de Matemática no primeiro ciclo; a insistência nos conteúdos curriculares; a existência de exames. Foram medidas preconizadas pela Sociedade Portuguesa de Matemática e muito criticadas por parte de uma série de sectores, nomeadamente por parte dessa nomenkclatura que dirige a educação em Portugal e contra a qual muitas vezes os ministros nada podem. Conta-se aquela história sobre de a Manuela Ferreira Leite [ministra da Educação entre 1993 e 1995 ] ter dito, batendo com o pé no chão, no seu gabinete: "Daqui para baixo [do 13º andar para baixo] não mando nada". Todos os que passaram pelo Ministério da Educação se queixam de que pouco puderam fazer, que havia aquela máquina gigantesca que ia tomando conta das coisas. E é disso que tenho temos muito medoreceio. De que também estas novas medidas , apesar de serem bem intencionadas, venham a ser, na sua concretização, completamente deturpadas. Por exemplo, a obrigatoriedade dos exames para professores pode ser completamente deturpada.
Público - Tudo depende do tipo de exame e de quem o faz?

Nuno Crato - Pois é. E o mesmo no que respeita ao novo estatuto da carreira docente. Toda a gente anda a discutir se os professores devem ser avaliados, se não devem; se os pais devem avaliar, se não. Como se, a pretexto da avaliação, se estivesse a fazer uma guerra contra ou a favor dos professores. Ora, a avaliação é necessária. Mas quem escreveu o novo estatuto da carreira docente conseguiu introduzir um artigo que liquida toda a capacidade de avaliação dos professores. Trata-se do artigo sobre o conteúdo funcional da docência [36º-2], aquele que estipula quais são as funções dos professores. E as funções dos professores deixaram de ser ensinar. Aparece ali listado um numero inacreditável delas: os professores aparecem transformados em animadores culturais, em mediadores entre a família e a escola, etc; e a sua função primeira não é ensinar, mas sim criar "situações de aprendizagem". Aliás, curiosamente, a palavra "ensinar" não aparece uma única vez no documento, que tem 55 páginas. Não é isto sintomático? Na verdade, liquidou-se de vez qualquer capacidade de avaliação dos professores. Vai-se avaliar o quê? Se o professor criou situações de aprendizagem? Se o professor se relaciona bem com as famílias? Se relaciona bem com colegas? É isso que se vamos avaliar?

Público - Faz-se por um lado, desfaz-se por outro. É obra da tal nomenkclatura que referiu?

Nuno Crato - Não tenho dúvidas nenhuma disso. O que há de novo é que esta "nomenklatura" deixou cair da sua linguagem os aspectos mais dogmáticos, mais visíveis, e passou a actuar de forma a dizer que sim, que está bem, sigamos o que a ministra diz, mas na prática faz-se o contrário. No novo estatuto vacinou-se tudo o que ali está escrito contra qualquer efeito que possa vir a ter. Não se pode fazer avaliação de professores e ser-se objectivo, sem ser claro sobre quais são as funções do professor. E as funções do professor são ensinar. O que temos de avaliar é essa capacidade do professor de ensinar. Mas esta palavra "ensinar" parece que foi banida do vocabulário. E esta situação é facilitada pela inexistência de avaliação externa. Os momentos de avaliação externa são quase nulos. Felizmente este último ano, e pela primeira vez há muito tempo já, houve um avaliação externa nacional no 9 º ano. A Matemática e a Português. É uma coisa muito importante, mas trata-se de uma gota de água no oceano. São só duas disciplinas e é só no 9º ano de escolaridade. Ou seja, continua a não existir uma avaliação externa em todos os outros graus intermédios. O que levante esta outra questão: como é que vamos então avaliar os professores se não temos essa avaliação externa sobre o próprio resultado do seu trabalho, que é o conhecimento dos alunos?

Público - É esse o único parâmetro?

Nuno Crato - Penso que sim, que é praticamente o único. O que é que o professor conseguiu acrescentar aos alunos. Isso é o que há de mais avaliável. Mas quando se trata de um professor do primeiro ou do segundo ciclo, onde não existem exames, como é que se vai fazer essa avaliação? Tem que haver dados objectivos. Tudo está dependente disso, dessa baliza externa, e sem ela a própria possibilidade da avaliação pode ficar completamente liquidada.

Público - O que está a dizer é que apesar de toda a agitação deste ano nada de essencial mudou ainda

Nuno Crato - Mudou o discurso e há uma vontade expressa de mudar da parte de muita gente, nomeadamente da parte da ministra da Educação. Mas é preciso que se perceba que é preciso mudar também os fundamentos teóricos. E isso ainda não aconteceu. Por exemplo, o novo plano nacional da Matemática refere como trave mestra o "Currículo Nacional do Ensino Básico: Competências Essenciais", um documento implementado em 2001 pela anterior equipa do Ministério da Educação, dirigida por Ana Benavente [secretária de Estado da Educação entre 1995 e 2001 ], onde se consubstancia precisamente toda a doutrina que liquidou a educação em Portugal. Na Matemática toda esta doutrina tem de facto um momento máximo e esse momento é o da implementação daquele documento, que coloca em oposição as aprendizagens e a criatividade; o conhecimento e a competência matemática; a memorização e a capacidade de resolução problemas. É um documento que defende que tudo vem da motivação e da resolução de problemas não rotineiros. Há um problema essencial desta ideologia, que é o de achar que há só um caminho para as coisas. O documento de 2001 não devia servir de base para nada, mas no novo plano temo-lo de novo pela frente.
Público - O que é feito então da vontade de mudar?

Nuno Crato - Ela existe e algo se passou também na opinião pública em geral, que está mais atenta e quer essa mudança. As posições da ministra reflectem essa alteração. Já não estamos como estávamos há cinco anos, mas não sei o que vai resultar daqui. Talvez se passe como naquele livro do Lénine, que se dê um passo em frente e dois para trás. Ou então dois em frente e um para trás. Não sei. O que sei, porque a conheço desde há bastante anos, é que esta "nomenklatura" tem uma capacidade inacreditável para transformar em zero seja que medidas forem.

Público - Essa ideologia de que falou foi algo que nos aconteceu só a nós?

Nuno Crato - Aconteceu em muitos outros países. Aconteceu nos Estados Unidos e muito mais cedo do que cá. Mas os EUA têm uma maneira de gerir a educação muito mais descentralizada, e por isso enquanto esta ia sendo destruída num lado, ia sendo construída noutro. Muitas vezes dentro da mesma localidade e em escolas dirigidas pelo mesmo conselho de educação. Ou seja, no mesmo sítio e dentro das directivas de um mesmo conselho, existem escolas que têm perspectivas assumidamente diferentes e as pessoas podem escolher aquela que mais gostam. Há essa possibilidade de escolher e não estou a falar de escolas particulares. Aqui não, é tudo monolítico.

Público - Defende então que a autonomia das escolas é essencial?

Nuno Crato - Sem dúvida. Mas neste momento é pura conversa por cá. As escolas não têm autonomia para nada. Estou-me a lembrar do que se passou há uns poucos de anos, com a polémica das aulas passarem a ser de 90 minutos ou continuarem nos 50. É inacreditável o envolvimento total do Ministério da Educação nisto. Como se para todas as escolas do país, para todas as crianças, existisse uma e apenas uma medida certa. Porque é que não se deixou as escolas escolherem? Que uma tivesse aulas de 50 minutos e outra de 90? Mas não. O Ministério da Educação tenta sempre controlar todo o processo até ao mais ínfimo pormenor, quando o que devia fazer, e quase só, era controlar os resultados. Na minha opinião, o Ministério da Educação devia ser praticamente só o ministério dos exames, um instrumento sobretudo avaliador dos resultados, dando liberdade às pessoas e às escolas paras seguirem os seus caminhos. Claro que se houvesse liberdade educativa, como existe noutros países, rapidamente as escolas que funcionam pior seriam abandonadas e teriam que reformular a sua política sob pena de desaparecerem. Com reflexo nos próprios professores que funcionam pior.

Público - Os pais devem avaliar os professores? Pensa que isso é fazível?

Nuno Crato - Não. Com o pais que nós temos e da maneira como as coisas estão organizadas, não vejo como. Mas os pais deviam poder avaliar, escolhendo a escola. Isso sim.

Fonte: Post "Nuno Crato: A palavra ensinar foi banida do vocabulário do Ministério da Educação" do Blog Nós-Sela

A propósito...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Gaiolas ou asas?


Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado. Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair da casa para ir para escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O seu sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres e a mesmaporta que as fecha junto com os tigres. Nos tempos da minha infância eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraido pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca, pisava no poleiro – e era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras, enfiava o bico entre nos vãos, na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguetado... De quanta violência é capaz o frágil corpo de um pássaro... Sempre me lembro com tristeza da minha violência infantil. É o pássaro que é violento? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas? Me falarão sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, é preciso que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas, eu pergunto: Nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?O que se pressupõe é que os alunos ganham uma boa educação se eles aprendem os contéudos dos programas oficiais. Para se testar essa aprendizagem há uma série de mecanismos de avaliação, aumentados pelos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais é a essência daquilo que se definiria como uma boa educação?Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E a forma como se reproduzem as estrelas do mar? E o sujeito da frase " Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Que é que você pode fazer com a palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam...O sujeito da educação é o corpo. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa de aprendizagem do corpo: aprendizagem de "ferramentas" e de "brinquedos". "Ferramentas" são conhecimentos que me permitem resolver os problemas vitais que me desafiam no dia a dia. "Brinquedos", ao contrário, são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo o coral da 9ª sinfonia. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo educação.Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me dão liberdade prática. Brinquedos me dão liberdade espiritual. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos não fica violento. Não bate asas e bico contra as grades. Porque não há grades. Só há o espaço livre...Não me impressionam as estatísticas oficiais que anunciam o aumento do número de escolas e de alunos. Fico a imaginar: gaiolas ou asas?

Rubem Alves

Reflexão: Aumentou o sucesso educativo, diminuiu o abandono escolar, temos a escola a tempo inteiro, os professores trabalham mais horas... dizem aqueles que estão no poder. Mas há mais violência, mais desencanto e ... muito mais escolas GAIOLAS.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Simplificar o processo


Avaliar também passa por questões tão simples como as que aqui apresentamos. A eventual complexidade e dificuldade de operacionalização desta medida resulta das diferentes perspectivas e interesses dos intervenientes envolvidos. Por isso, verifica-se sempre discrepâncias entre o pensamento e a acção. Afinal o que pretendemos com a avaliação? A resposta tem vindo a ser dada ao longo destas últimas semanas. As ilações sobre a condução de todo este processo estão bem patentes no dia-a-dia de cada um de nós. As diferentes tomadas de posição também.

domingo, 9 de março de 2008

Frases feitas


Gosto muito de frases feitas. De ditados populares, aforismos, provérbios e de imagens convincentes. Considero-as detentoras de uma intencionalidade poderosa. Conseguem ilustrar a profundidade do pensamento. Quando fui menina e moça tinha um caderno de capa preta onde coleccionava citações. No outro dia dei com ele e estive a reler as imensas frases que fui recolhendo num período específico da minha vida. Gosto deste tipo de citações, mas não simpatizo nada com uma escrita que não é opinativa, que se baseia essencialmente nas ideias dos outros e que utiliza as citações por tudo e por nada. Não estou a falar de textos para a realização de um paper ou outro trabalho científico do género. Neste caso as regras do jogo exigem outro tipo de abordagem que não julgo oportuno referir neste post.

Voltando às frases feitas e às voltas que dei por alguns blogues. Foi aí que encontrei algumas frases sobre a educação, ou se preferirem sobre a realidade educativa dos nossos dias. Num tempo em que se exige uma intervenção consciente considerei importante partilhar com os meus parcos leitores algumas dessas frases e ao mesmo tempo indicar-lhes algumas leituras interessantes. Antes colocaria essas frases no caderno de capa preta, hoje são postadas no blog. Parece que estou a tentar acompanhar as evoluções tecnológicas dos tempos actuais. Quem diria.

1ª No Dia Internacional da Mulher, 100 000 docentes, na sua maioria mulheres, protestam contra a política dirigida por uma mulher. Zé Morgado do blog Atenta Inquietude

2ª Educação não é burocratização e punição. Educação é, sobretudo, motivação e ética. Henrique Silveira do blog Crítico

3ª Uma coisa é a serenidade, outra, a falta de espinha dorsal. [sobre a intervenção do PR relativamente aos focos de tensão entre ME e os professores] Idalina Jorge do blog Paideia

4ª O ensino superior parece ter entrado definitivamente na fase da massificação que os ensinos de níveis inferiores já conhecem há muito mais tempo. PJ do blog Bloco de notas

5ªA cabeça dos agentes educativos fica atafulhada de tarefas estupidificantes, inúmeros papeis para preencher e não sobra um cantinho para o que devia ser a sua mais nobre missão: ensinar. Hemoclinica do blog Nós-sela

6ª Ter educação superior significa maior potencial para práticas de infidelidade laboral. Alexandre Sousa do blog Co-Labor

7ª Quando se vai para a "rua" tem que se saber como se sai dela [a propósito da marcha de indignação dos professores realizada ontem] . Pacheco Pereira do blog Abrupto

sábado, 8 de março de 2008

Depoimento de uma mileurista


Trago aqui para a página principal, o sentir de uma mileurista. Em tempo de indignação, revolta e desânimo, este "sentir" revela a última das nossas esperanças: pensar sempre em primeiro lugar nas pessoas e actuar em conformidade. Porque o "polvo" da crise social está em pleno andamento. Constatamos e não podemos ignorar. Num mundo real, as vidas (im)possíveis dos dias de hoje. Tempos de parar enquanto é tempo. Tempo de mudar e encontrar alternativas.

(clicar para ler o post completo)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Os meus mileuristas


Preocupo-me com os meus dois mileuristas que me estão mais próximos. Tenho mais mileuristas na família, mas estes dois são aqueles que ocupam um lugar muito especial na minha vida. Nem eu, nem eles prevíamos que o presente fosse assim. Tivemos expectativas e até não eram muito grandes. Falávamos sobre o futuro com alguma emoção, com uma agradável sensação de que estávamos a pensar bem, que estávamos a ser socialmente correctos, estávamos a contribuir para o bem da sociedade. Prevíamos que esta geração poderia encontrar um trabalho compatível com as suas habilitações e ganhar o suficiente para a sua sobrevivência. Que poderiam ser independentes. Construímos o nosso saber sobre a vida e sobre o viver tendo em atenção essa premissa. Seguiram os modelos de vida da geração anterior. Era a sua referência. Não tinham outra. Para alguma coisa a modelagem deve servir. Pensávamos que a vida seria, se não melhor, pelo menos idêntica. Nunca a palavra independência financeira teve tanto valor para eles e ao mesmo tempo parecia-lhes tão longínqua. Construímos o nosso discurso baseado em ilusões, em esperanças, em paradigmas. Hoje são mileuristas. O que pensam do presente e como perspectivam o futuro? Que oportunidades lhes são facultadas? Para onde querem que eles caminhem? Parece-me que não lhes estão a indicar caminhos, nem alternativas. Essas não se inventam e eles não podem lutar por aquilo que não existe. Estarão sempre em desigualdade, sem oportunidades de caminhar. Estou a ler "Mileuristas" de Espido Freire. Um pouco atrasada, eu sei. Em Espanha, o livro já circula há pelo menos dois anos e foi um grande sucesso editorial, com uma repercussão enorme dentro da sociedade. O assunto é lugar-comum. Cá o livro saiu em Janeiro.
Para Espido Freire, os mileuristas são uma geração entre os vinte e tal anos e os trinta e muitos. São pessoas que nasceram durante a democracia espanhola e que sempre tiveram oportunidade de escolha. É a geração das actividades extra escolares, os que tiveram oportunidade de ir ao karate, ao inglês e à catequese, mas também à informática. Uma geração que viajou, que fez o inter-rail e que muitas vezes estudou com uma bolsa num país estrangeiro.
A própria Espido Freire refere que, quando em 1992 se matriculou em Direito na Universidade Privada de Deusto em Bilbau, só no primeiro ano do seu curso havia 1200 estudantes. Com tantos licenciados não havia empregos compatíveis para as suas aptidões. Em parte, isso explica os contratos precários um pouco por toda a Europa e a versão portuguesa de recibos verdes, que no seu entender é muito mais vergonhosa e intolerante. Sem emprego, muitos jovens resolveram apostar em mais formação, em mestrados e doutoramentos, alguns através de bolsas pagas pelo governo e ajudas da comunidade europeia. Contudo, dez anos mais tarde ainda continuavam a ser bolseiros. Em geral, ninguém percebeu que a sociedade tinha mudado e que tinha deixado para trás toda uma geração sem saber muito bem o que fazer e como fazer.

Silêncios gritantes

"Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação – havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza."
Edvard Munch (1863-1944)


No silêncio dos olhos

Em que língua se diz, em que nação,

Em que outra humanidade se aprendeu

A palavra que ordene a confusão

Que neste remoinho se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados

Cantos de ave pousada em altos ramos

Dirão, em som, as coisas que, calados,

No silêncio dos olhos confessamos?


José Saramago
Os Poemas Possíveis
Lisboa, Caminho, 1999

terça-feira, 4 de março de 2008

Inspiração para a noite

Alentejo, 4 de Março 2008
Foto: minha
Nos últimos tempos verifica-se grande movimentação na blogosfera da Educação. Uma nova forma de contestação está a nascer. Para novas exigências, novas estratégias. E que dizer das desilusões, das esperanças goradas, dos desafectos, das ameaças e dos medos. Apela-se à solidariedade, à ajuda, à colaboração e reivindica-se uma melhor educação! Existem sítios para todos os gostos, com fichas para download, lindas fotografias, petições, poemas, reflexões e referências às diferentes áreas do conhecimento... Cada sítio personalizado para agradar a cada visitante. É um facto que algo está a mexer na blogosfera da educação e, se assim acontece é porque existe uma necessidade latente de actuar. Vale a pena encontrar um sentido nesta grande amálgama de sítios, ideias, opiniões e alguns actos falhos. Para compreender e para respeitar.
No Alentejo o pôr-do-sol tem sempre uma outra luminosidade. A foto não consegue reproduzir a beleza do momento. Foi o meu olhar de hoje ao fim da tarde.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Coisas da Educação


Marcas de batom no banheiro ...

Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada uma turma de meninas de 12 anos que usava batom todos os dias removia o excesso beijando o espelho do banheiro. O diretor andava bastante aborrecido, porque o faxineiro tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom. Chegou a chamar a atenção delas por quase 2 meses, e nada mudou, todos os dias acontecia a mesma coisa.... Um dia o diretor juntou o bando de meninas e o faxineiro no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Depois de uma hora falando, e elas com cara de deboche, o diretor pediu ao faxineiro "para demonstrar a dificuldade do trabalho". O faxineiro imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho. Nunca mais apareceram marcas no espelho!!!!

"Há professores e há educadores".

Fonte: e-mail

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ontem à noite



Numa altura em que deveria estar a criar um ambiente calmo e tranquilo que me permitisse entrar no mundo reparador do sono, optei por receber um conjunto de estímulos visuais e sonoros, que me despertaram para uma realidade repleta de ruídos ensurdecedores. Foi o que me ficou do programa Prós e Contras. Não irei fazer mais ruído. Não utilizarei as palavras. Procurarei encontrar alguma serenidade introspectiva para me colocar no lugar do outro e tentar perceber o ponto de vista do ME, dos professores revoltados, dos professores acomodados, dos sindicatos, dos pais, das autarquias, etc. Já tenho muita introspecção para fazer. Sei que não chegarei a conclusão nenhuma, nem vislumbrarei a solução do problema. Não importa. O que importa é que não contribuirei para aumentar a poluição sonora.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O mundo real



Realidades vividas, não esperadas e jamais merecidas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Escola a tempo inteiro

Flying, Paula Rego

Fiquei satisfeita por ler alguns posts que demonstram os perigos de uma escola a tempo inteiro. Felizmente que alguns professores conseguem ver para além da aparente maravilha que será para as famílias ter os filhotes ocupados durante todo o dia. É um descanso e sempre se poupa uns dinheiritos em explicações, aulas de piano, de natação e as outras coisas que por aí andam para ocupar os meninos e descansar os pais. Dir-me-ão que não penso nas famílias carenciadas, nos pais que trabalham das 8h da manhã às 19h da tarde e por aí fora. Podem crer que penso. Custa-me é saber que muitos precisam de trabalhar muitas horas porque a sua maior preocupação é a sobrevivência da família. Esses provavelmente gostariam de ter menos horas de trabalho, gostariam de acompanhar os filhos, de dar-lhes mais atenção, de proporcionar-lhes uma educação condigna. Custa-me saber que muitas crianças ficam por aí, ao Deus dará, à espera que a família volte do trabalho. Algumas ficam pelas ruas [as que podem] deambulando por aqui e por ali. Outras e estas são provavelmente a maioria ficam por casa acompanhadas por todas as maravilhas tecnológicas que tem ao seu dispor. Sós, ditando o seu destino, experimentando as zonas de risco, aflorando o perigo, crescendo assim porque não lhes deixam crescer de outra maneira.

Agora vão arranjar-lhes outras ocupações na escola onde serão mais ou menos guardadas, mais ou menos vigiadas, mais ou menos educadas.

Num primeiro momento parece que esta solução será a melhor. Mas não é. Continuamos a não respeitar as necessidades das nossas crianças e suas famílias. Porque o que na verdade cada criança e sua família precisa é mais tempo para viver a vida e menos tempo para as AEC e para o trabalho. Mas isso poucos desejam. E depois que seria da economia, da produtividade ...

Felizes os pais que podem escolher o melhor para os seus filhos e que podem recusar tais medidas. Pena que sejam poucos.

Ainda bem que os professores contestam e fazem ouvir a sua voz. Os educadores de infância continuam a aceitar complacentemente esta situação, e crianças pequeninas continuam a ser depositadas em instituições onde permanecem 12 seguidas, sem condições de repouso [já por aqui falei sobre este assunto]. Talvez os educadores tenham opinado sobre os prolongamentos de horários nos jardins de infância públicos quando este blogue ainda nem sonhava por aqui estar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Publicações e citações


A realização de estudos, nomeadamente aqueles que se inserem no âmbito de doutoramentos e mestrados pressupõem um levantamento do estado da arte, de preferência devidamente actualizado. Ora, esse trabalho exige muita pesquisa, muitas leituras, muita disponibilidade. Por outro lado, a existência de inúmeras publicações sobre a matéria que nos encontramos a investigar, não permite a veleidade de acesso a todos os estudos que se inscrevem na nossa área de investigação. Acresce que devemos procurar a actualização de conhecimentos, e que artigos publicados há alguns anos não devem ser considerados, excepto os que possuem reconhecido mérito. Isto leva-me a pensar nas pesquisas que realizei, no dinheiro que gastei na aquisição de artigos e livros para a elaboração da minha dissertação de mestrado, e que agora já pouco me servem [mantenho sensivelmente a mesma área de estudo]. Por vezes, sinto que o excesso de publicações que tenho ao meu dispor não me permite uma leitura ponderada, nem me faculta a interiorização sistemática da informação, nem a reelaboração do pensamento. A propósito encontrei esta referência interessante sobre publicações e citações que me levou a questionar o valor da investigação científica enquanto veículo de transmissão e aquisição de conhecimento. Nem mais, este é o mundo de hoje, ou publica-se ou morre-se. Boa leitura.