Bem-vindo(a). Aqui ando às voltas. Com a vida. Com o doutoramento. Com o blog. Quando as circunstâncias o permitem dou umas voltinhas pela Educação de Infância.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Inspiração a quanto obrigas

© Sebastião Salgado

Faz hoje 9 anos que foi lançado em Lisboa, o livro Diálogos com José Saramago de Carlos Reis.
Daí que o tenha trazido aqui. Outra razão resulta da entrevista que o Professor Carlos Reis manteve com o escritor onde veio à baila o conceito de inspiração.
E sobre a mesma diz Saramago:

Eu não sei o que é a inspiração. Mas também a verdade é que às vezes nós usamos conceitos que nunca paramos a examinar. Vamos lá a ver: imaginemos que eu estou a pensar determinado tema e vou andando, no desenvolvimento do raciocínio sobre esse tema, até chegar a uma certa conclusão. Isto pode ser descrito, posso descrever os diversos passos desse trajecto, mas também pode acontecer que a razão, em certos momentos, avance por saltos; ela pode, sem deixar de ser razão, avançar tão rapidamente que eu não me aperceba disso, ou só me aperceba quando ela tiver chegado ao ponto a que, em circunstâncias diferentes, só chegaria depois de ter passado por todas essas fases.
Talvez, no fundo, isso seja inspiração, porque há algo que aparece subitamente; talvez isso possa chamar-se também intuição, qualquer coisa que não passa pelos pontos de apoio, que saltou de uma margem do rio para a outra, sem passar pelas pedrinhas que estão no meio e que ligam uma à outra. Que uma coisa a que nós chamamos razão funcione desta maneira ou daquela, que funcione com mais velocidade ou que funcione de forma mais lenta e que eu posso acompanhar o próprio processo, não deixa de ser um processo mental a que chamamos razão.
José Saramago, in Diálogos com José Saramago

Reflexão: Não encontrei a inspiração. Nem a razão me levou até ela. Sem uma razão inspirada ou sem uma inspiração que proceda a razão não consegui a criação. Fico-me por aqui. Amanhã é outro dia.

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