
Tenho evitado fazer qualquer comentário sobre o que se está a passar nas escolas com os professores e educadores.
Tenho evitado compreender o que vai na cabeça de quem "vive" no ME para colocar cá fora directrizes que revelam uma completa falta de bom senso.
Tenho evitado pensar sobre que caminho é este ao qual nos estão a querer levar.
Tenho evitado ser complacente com o que se vai passando no nosso burgo, mas também tenho evitado ser maldizente sobre as políticas educativas do meu país.
Tenho evitado ser cidadã porque não me deixam ir ao encontro a uma cidadania reflectida e construída.
Tenho evitado ser professora porque querem que eu vá por ali, quando eu acho que devo ir por aqui.
Tenho evitado estar com a escola, porque a escola tornou-se naquilo que eu não queria. Um lugar em que a dignidade humana deixou de ser compreendida e respeitada.
Tenho evitado olhar "esta" escola, mas procuro a outra escola oculta que ainda habita em mim.
Tenho evitado mas não evito.
4 comentários:
pois olhe, eu tenho andado a evitar pedir-lhe a a sua opinião...
sabe glicéria, no meu serviço já somos avaliados há algum tempo. as directrizes eram que para o nossa instituição só poderia haver 0,3 Muito Bom. Ridículo: para além disso somos avaliados por médicos (chefe). lutem...
pelo menos não evitem lutar vocês.
Agradou-me o 1º comentário. De acordo com o post... Não andaremos a evitar demais?
Em relação à avaliação não tenho nada contra. Já no que respeita à forma como a mesma está a ser implementada é que me parece que a porca torce o rabo.
Pois, eu também acho que a avaliação é necessária e desejável como forma de melhorar o nosso desempenho profissional e, consequentemente o desempenho/sucesso educativo dos alunos... o pior mesmo é que este processo está doente deste a raíz. Embora os discursos politico-ideológicos pareçam transparecer um mar de rosas, a verdade é que o processo, para além de pouco transparente, não respeita a dignidade dos professores. Atingir fins puramente político-económicos sem olhar a meios é o horizonte destas políticas educativas desnorteadas.
Por isso, também acho que não devemos calar quando em consciência sabemos que este não é o melhor caminho, sobretudo para os miúdos e para a sociedade. Volto a dizer o que já disse muitas vezes, estamos a caminhar para o abismo e estamos a ser coniventes porque calamos... aliás, acho que caminhamos a passos largos para uma nova barbárie.
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